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A mais antiga exposição de ovelhas da Noruega virada de cabeça para baixo: este ano foram as ovelhas que elegeram os melhores veranistas

Depois de 150 anos sendo julgadas pela lã e pela postura das patas, as ovelhas de Valle acharam que era hora de retribuir. A vencedora ganhou uma roseta e o aviso de parar de estacionar no acostamento.

Por Kjell-Arne Pedersen · domingo, 27 de setembro de 2026 às 08h05

Um júri de ovelhas prende uma roseta num turista nervoso sobre um estrado de madeira; outros turistas esperam num cercado
O júri durante a final de sábado. A ovelha da esquerda não dá nota máxima desde 1994. Ilustração: Gunnar Skravur (IA)

A exposição de ovelhas de sábado em Valle reuniu moradores do vale, gente de Setesdal que se mudou e veranistas aos montes. Pela primeira vez na história da exposição, porém, foram as pessoas que ficaram no cercado, enquanto as ovelhas compunham o júri.

– Fomos avaliadas por gerações. Agora era hora de alguém olhar para os outros, diz uma porta-voz do júri, uma ovelha de três anos que, segundo o organizador, tem «excelente postura das patas e um julgamento ainda melhor».

A ideia veio das próprias ovelhas, segundo o organizador. Depois que uma ovelha perdeu dez pontos no ano passado por «caimento desleixado da lã», o rebanho inteiro se recusou a participar até que as regras fossem invertidas. A diretoria da exposição dedicou duas reuniões noturnas ao assunto e concluiu que a exigência era «bastante razoável, pensando bem».

Os veranistas foram avaliados em cinco critérios: andar em terreno acidentado, capacidade de fechar porteiras, atitude com os moradores, número de vezes que disseram «que autêntico» e quanto tempo conseguiram ficar parados sem fotografar um celeiro antigo.

As juízas levaram a tarefa muito a sério. Cada participante recebeu a sua própria ficha de pontuação, e o júri dedicou a cada um exatamente o mesmo tempo que ele próprio tinha recebido na exposição do ano passado: quatro minutos, três dos quais gastos olhando com desconfiança para os sapatos.

A competição foi dura. Um advogado de Bærum foi desclassificado depois de tentar comprar pontos com uma bicicleta elétrica de 150.000 coroas, e uma família de Frogner perdeu feio no critério das porteiras ao deixar três delas abertas a caminho do cercado.

A família de Frogner encarou a derrota com serenidade. – Achamos que as porteiras faziam parte da paisagem, diz o pai, que foi visto tentando fechar a última com a chave do carro.

Uma família bem vestida passeia por um pasto de montanha deixando três porteiras abertas, enquanto uma ovelha num banquinho anota numa ficha de pontuação
A família de Frogner a caminho do cercado. O critério das porteiras foi decidido já aqui. Ilustração: Gunnar Skravur (IA)

A vencedora foi uma aposentada de Asker que, segundo o júri, «se movia como se tivesse cabana aqui desde antes da energia hidrelétrica». Ela ganhou uma roseta, um saco de ração e uma recomendação por escrito para parar de estacionar no acostamento.

No discurso de agradecimento, a vencedora prometeu usar a roseta com humildade. O júri respondeu virando de costas, o que o organizador descreve como «a maior honraria que uma ovelha pode conceder».

Segundo o organizador, o clima estava bom até as ovelhas começarem a dar notas também para os moradores do vale. Aí ficou silêncio.

– É uma conversa difícil de ter. Mas é preciso aguentar ser visto, diz um agricultor local, que terminou empatado em último lugar com o próprio trator.

Nem os ex-moradores de Setesdal escaparam. Vários perderam pontos por dizer «nós» sobre o vale e «eles» sobre Oslo na mesma frase, e um foi desclassificado depois de se descrever como «praticamente local» três vezes antes do almoço.

A delegacia local, que confirmou recentemente que existe, informa que não recebeu queixas, mas que dois carneiros foram vistos a caminho de casa com um ex-morador de Setesdal entre eles para uma «avaliação mais detalhada».

Dois carneiros grandes andam em pé de cada lado de um homem nervoso de jaqueta de trilha numa estrada de cascalho ao entardecer, enquanto um delegado anota de uma porta
A avaliação mais detalhada, no sábado à noite. O delegado tomou nota do caso, mas não vê motivo para intervir. Ilustração: Gunnar Skravur (IA)

Comentários (4)

  1. Tante_Tyholmen

    Meu sobrinho estava lá e diz que a vencedora não era de Asker coisa nenhuma, mas de Tvedestrand. Ele a reconheceu pela jaqueta. Ou era a ovelha que estava de jaqueta. No fim ele ficou meio em dúvida.

    1. Sindre Kvåle Moderador

      Obrigado pela contribuição. O moderador lembra que devemos nos ater ao assunto, e concorda, aliás, que a vencedora pode ter sido de Tvedestrand. E de Asker. As duas coisas são perfeitamente possíveis.

  2. Olav Pettersen

    Como comerciante do centro, preciso dizer que eu mesmo já ganhei uma roseta. Foi pela melhor vitrine, alguns anos atrás, e não havia ovelhas no júri, mas a sensação é a mesma. Ela fica pendurada em cima do caixa. Passe lá.

  3. Hyttefolk_Frogner

    Eu não estava lá, mas tenho a sensação de que esta matéria é sobre mim. Já estacionei no acostamento. Uma vez. Talvez duas. Por que todas as ovelhas olham para mim quando passo por Valle?

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Tradução: Giovanna Kellyane dos Santos, nossa correspondente no Brasil, que não tinha nada melhor para fazer.

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