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A mais antiga exposição de ovelhas da Noruega virada de cabeça para baixo: este ano foram as ovelhas que elegeram os melhores veranistas
Depois de 150 anos sendo julgadas pela lã e pela postura das patas, as ovelhas de Valle acharam que era hora de retribuir. A vencedora ganhou uma roseta e o aviso de parar de estacionar no acostamento.
A exposição de ovelhas de sábado em Valle reuniu moradores do vale, gente de Setesdal que se mudou e veranistas aos montes. Pela primeira vez na história da exposição, porém, foram as pessoas que ficaram no cercado, enquanto as ovelhas compunham o júri.
– Fomos avaliadas por gerações. Agora era hora de alguém olhar para os outros, diz uma porta-voz do júri, uma ovelha de três anos que, segundo o organizador, tem «excelente postura das patas e um julgamento ainda melhor».
A ideia veio das próprias ovelhas, segundo o organizador. Depois que uma ovelha perdeu dez pontos no ano passado por «caimento desleixado da lã», o rebanho inteiro se recusou a participar até que as regras fossem invertidas. A diretoria da exposição dedicou duas reuniões noturnas ao assunto e concluiu que a exigência era «bastante razoável, pensando bem».
Os veranistas foram avaliados em cinco critérios: andar em terreno acidentado, capacidade de fechar porteiras, atitude com os moradores, número de vezes que disseram «que autêntico» e quanto tempo conseguiram ficar parados sem fotografar um celeiro antigo.
As juízas levaram a tarefa muito a sério. Cada participante recebeu a sua própria ficha de pontuação, e o júri dedicou a cada um exatamente o mesmo tempo que ele próprio tinha recebido na exposição do ano passado: quatro minutos, três dos quais gastos olhando com desconfiança para os sapatos.
A competição foi dura. Um advogado de Bærum foi desclassificado depois de tentar comprar pontos com uma bicicleta elétrica de 150.000 coroas, e uma família de Frogner perdeu feio no critério das porteiras ao deixar três delas abertas a caminho do cercado.
A família de Frogner encarou a derrota com serenidade. – Achamos que as porteiras faziam parte da paisagem, diz o pai, que foi visto tentando fechar a última com a chave do carro.
A vencedora foi uma aposentada de Asker que, segundo o júri, «se movia como se tivesse cabana aqui desde antes da energia hidrelétrica». Ela ganhou uma roseta, um saco de ração e uma recomendação por escrito para parar de estacionar no acostamento.
No discurso de agradecimento, a vencedora prometeu usar a roseta com humildade. O júri respondeu virando de costas, o que o organizador descreve como «a maior honraria que uma ovelha pode conceder».
Segundo o organizador, o clima estava bom até as ovelhas começarem a dar notas também para os moradores do vale. Aí ficou silêncio.
– É uma conversa difícil de ter. Mas é preciso aguentar ser visto, diz um agricultor local, que terminou empatado em último lugar com o próprio trator.
Nem os ex-moradores de Setesdal escaparam. Vários perderam pontos por dizer «nós» sobre o vale e «eles» sobre Oslo na mesma frase, e um foi desclassificado depois de se descrever como «praticamente local» três vezes antes do almoço.
A delegacia local, que confirmou recentemente que existe, informa que não recebeu queixas, mas que dois carneiros foram vistos a caminho de casa com um ex-morador de Setesdal entre eles para uma «avaliação mais detalhada».
Comentários (4)

Tante_Tyholmen
Meu sobrinho estava lá e diz que a vencedora não era de Asker coisa nenhuma, mas de Tvedestrand. Ele a reconheceu pela jaqueta. Ou era a ovelha que estava de jaqueta. No fim ele ficou meio em dúvida.

Sindre Kvåle Moderador
Obrigado pela contribuição. O moderador lembra que devemos nos ater ao assunto, e concorda, aliás, que a vencedora pode ter sido de Tvedestrand. E de Asker. As duas coisas são perfeitamente possíveis.

Olav Pettersen
Como comerciante do centro, preciso dizer que eu mesmo já ganhei uma roseta. Foi pela melhor vitrine, alguns anos atrás, e não havia ovelhas no júri, mas a sensação é a mesma. Ela fica pendurada em cima do caixa. Passe lá.

Hyttefolk_Frogner
Eu não estava lá, mas tenho a sensação de que esta matéria é sobre mim. Já estacionei no acostamento. Uma vez. Talvez duas. Por que todas as ovelhas olham para mim quando passo por Valle?
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Tradução: Giovanna Kellyane dos Santos, nossa correspondente no Brasil, que não tinha nada melhor para fazer.