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Sátira Esporte

Primeira regata no estádio flutuante de Grimstad é cancelada por tempo perfeito – agora 40.000 torcedores vão ter que soprar

Os refletores funcionaram, as arquibancadas flutuaram e o sol brilhou. Só faltou o vento, e por ele a prefeitura começou a cobrar.

Por Rune «Rune» Aas · terça-feira, 29 de setembro de 2026 às 19h05

Desenho de uma arquibancada de madeira coberta, lotada, flutuando sobre barris. O público de chapéu se debruça sobre o parapeito e sopra na direção de um veleirinho de vela murcha na água parada, onde um velejador está sentado com a mão no queixo.
A bateria de teste na terça à noite. O homem do cronômetro sopra por dois, já que ele também é o barco da arbitragem. Ilustração: Gunnar Skravur (IA)

Era tudo o que se pode desejar de um dia de vela em Grimstad nesta terça: sol, água parada como espelho e 40.000 assentos flutuantes quietinhos no fiorde. Justamente por isso a primeira regata da temporada no novo estádio foi cancelada antes do tiro de largada.

A organização mediu o vento às nove. Deu zero. Às onze mediu de novo, com um instrumento mais sensível, e continuou zero. À uma da tarde a medição foi repetida por um consultor externo, que confirmou o zero e mandou a nota fiscal.

Segundo o clube de vela, a culpa é do próprio estádio. As arquibancadas são tão altas e tão fechadas em volta da raia que protegem o fiorde de todos os lados. O pouco vento que ainda chega do mar passa por cima da cabeça do público e vai cair em algum lugar perto de Fevik.

– Ganhamos um estádio totalmente sem vento. Para um clube de futebol seria um sonho, diz um porta-voz do clube de vela, que passou a tarde num botinho no meio da raia com a vela pendurada feito toalha no varal.

A prefeitura nega que haja algo de errado com a obra. Um assessor da secretaria de cultura lembra que a prefeitura acabou de criar uma licença para o vento que entra pelo fiorde, e que o clube não pagou pela terça-feira. – Não dá para esperar receber vento que não foi encomendado, diz o assessor.

Como meio-termo, a câmara aprovou um período de teste a partir do próximo fim de semana. O público recebe na entrada uma instrução de sopro e, ao sinal do barco da arbitragem, a arquibancada inteira tem que soprar na mesma direção. O clube calculou que 40.000 torcedores dão mais ou menos meio metro por segundo, desde que ninguém dê risada.

A primeira bateria de teste aconteceu na terça à noite com as 212 pessoas que ainda estavam na arquibancada. O barco andou onze metros antes de o público precisar sentar de novo. O vento foi medido em zero, mas a organização preferiu chamá-lo de «promissor».

Mesmo assim, o clima no clube de vela é bom. Depois de muitas temporadas sem nunca saber se ia ter vento suficiente, pela primeira vez eles têm uma raia onde é absolutamente certo que não vai ter. Isso dá ao clube uma previsibilidade que ele nunca teve.

Comentários (3)

  1. Seilern_Tromøy

    Toalha pendurada cai reto. Vela sem vento fica um pouco torta, com uma dobra na retranca. Vi as duas coisas em setenta verões, e não é a mesma coisa.

    1. Båtplasskøen_2003

      De quem é, afinal, aquele botinho no meio da raia? Ficou lá o dia todo sem licença de atracação. Já denunciei para a capitania.

    2. Båtplasskøen_2003

      40.000 assentos e nenhum deles é uma vaga de barco. Fiz as contas: licença de vento, consultor e instrução de sopro saem mais caro que rebocar a regata inteira para a Dinamarca e buscar o vento lá.

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Tradução: Giovanna Kellyane dos Santos, nossa correspondente no Brasil, que não tinha nada melhor para fazer.

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