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Sátira Cultura

A barraca de batatas em Vik sumiu, mas a fila continua lá: – Nunca foi pelas batatas

O trailer partiu para festivais e pop ups. No estacionamento ficou a obra de arte mais visitada de Grimstad, e ela não tem planos de sair do lugar.

Por Mona Lauvland · domingo, 27 de setembro de 2026 às 21h41

Desenho de uma longa fila de pessoas sérias de capa de chuva num estacionamento, voltadas para um retângulo vazio pintado no asfalto. Uma senhora idosa com um bloco de notas mede com uma régua dobrável a distância entre duas pessoas da fila.
A fila de domingo em Vik. A curadora pediu aos números onze e doze que fiquem mais próximos por razões artísticas. Ilustração: Gunnar Skravur (IA)

No domingo, a barraca de batatas em Vik, em Grimstad, abriu pelo último domingo. Os donos querem apostar em eventos, festivais e pop ups, e o trailer já está a caminho de novas aventuras. A fila não foi informada.

Quando cheguei ao estacionamento no domingo à tarde, ela ainda estava lá: vinte e três pessoas em fila, com o olhar fixo num retângulo vazio no asfalto onde o trailer costumava ficar. Ninguém falava. Alguns tinham trazido o próprio saleiro. Foi, simplesmente, cru.

– Fico aqui todo domingo há duas temporadas, e nunca cheguei em primeiro. Agora que não há nada para chegar em primeiro, sinto que finalmente entendo a obra, diz um homem que se identifica como o número quatro, e que pretende continuar sendo.

A fila já ganhou sua própria curadora, uma professora aposentada que percorre a fileira com um bloco de notas e corrige a distância entre as pessoas. Ela descreve a fila como «uma obra coletiva site-specific sobre expectativa sem realização» e pediu aos presentes que não olhem o relógio, porque isso quebra a ilusão.

A prefeitura de Grimstad reagiu rápido. O departamento de cultura abriu uma linha de apoio própria para «fila sem finalidade», e o prazo de inscrição foi marcado para uma data que ninguém na fila consegue cumprir sem sair dela. Um servidor confirma que o formato é proposital, «para garantir que só os mais dedicados se inscrevam».

Arendal, a cidade vizinha e rival, informou que tem filas sem finalidade há muito mais tempo, entre outras no estacionamento para carros que não podem estacionar, e que Grimstad mais uma vez levou o crédito por algo que Arendal fez antes e pior.

À noitinha aconteceu o que ninguém ousava esperar. Um carro entrou no estacionamento, e a fila inteira endireitou as costas. Era uma família que só ia fazer o retorno. O número quatro começou a chorar em silêncio, e a curadora anotou que aquele era o ponto alto da obra até agora.

O trailer deve aparecer em muitos lugares daqui para frente. A fila decidiu permanecer, mas por via das dúvidas enviou uma delegação de três pessoas para seguir o trailer e se posicionar atrás dele em todo lugar. Nota da crítica: seis saquinhos vazios.

Comentários (3)

  1. Tante_Tyholmen

    A fila está lá porque é gente de casa de veraneio. Só quem é de Oslo entra numa fila sem perguntar para que ela serve.

  2. Tante_Tyholmen

    Revisei a fila de novo. São todos de Grimstad. Mas a família que ia fazer o retorno tinha placa de Oslo e bagageiro de teto em setembro. Foi por isso que não ficaram.

  3. Arendal4ever

    Típico de Grimstad fazer arte de uma fila. Temos fila na ponte de Hisøy desde sempre sem pedir dinheiro por isso. E as batatas com certeza eram de Arendal mesmo.

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Tradução: Giovanna Kellyane dos Santos, nossa correspondente no Brasil, que não tinha nada melhor para fazer.

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